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O grande desafio do ser humano: ser e fazer feliz

03/07/2020 - Autor:  José Eustáquio Moreira de Carvalho  - Economista, Financista e Conselheiro Filosófico

Vimos que a Filosofia se ocupa com a busca da felicidade há, pelo menos, 24 séculos. Como a existência humana é mais antiga, certamente a busca do homem por ela vai além desse tempo.

Vimos que a Filosofia se ocupa com a busca da felicidade há, pelo menos, 24 séculos. Como a existência humana é mais antiga, certamente a busca do homem por ela vai além desse tempo.

Revisitamos um grande número de  registros de opiniões de muitos filósofos ao longo da história.

Quanto à vida humana verificou-se a existência de muitos tópicos importantes que podem ajudar na busca da felicidade e também o quanto é importante, para cada um de nós, promover uma transformação pessoal, bem como sugestões para aprendermos administrar os pensamentos. Também sempre foi discutida a importância da filosofia no nosso dia-a-dia, a deficiência ou ausência de um sistema de educação, em todos os níveis, capaz de levá-la ao cidadão comum. Do mesmo modo tem sido dedicado bastante tempo para tratar dos conceitos de propósito e significado e das crises comuns que a ausência deles tem provocado nas pessoas. Por fim, chegamos à proposta de uma trilogia para tratar de felicidade, que aqui se conclui  abordando a questão do “ser e fazer feliz”.

Partindo da verdade universal que diz “ninguém dá o que não tem”, temos a nossa primeira e enorme questão: para eu fazer alguém feliz é preciso que, primeiramente, eu seja feliz. E nós vimos nos dois textos anteriores que isto não é tarefa fácil. O que não é fácil? Ser feliz ou fazer feliz? Sem nenhuma dúvida, e sem fazer qualquer comparação entre elas, afirmo que as duas tarefas são difíceis e bastante desafiadoras.

Revendo a literatura, examinando o que já temos de opiniões e metodologias para atingir a felicidade, não encontrei nenhuma proposta que me dissesse “vá por aqui que você vai ser feliz”.

Nesse contexto, algumas “verdades” ficaram marcadas:

  1. A ideia de se atingir a felicidade desejada, às vezes até fantasiada, leva a imensa maioria das pessoas à infelicidade, por que não conseguem enxergar, nem usufruir, os momentos felizes que acontecem nas suas vidas;
  2. Não existe receita para a felicidade. O máximo que podemos receber ou oferecer são sugestões de comportamentos que possam levar a ela;
  3. Da mesma maneira que ninguém pode pensar por mim, ninguém pode ser feliz por mim;
  4. A construção da minha felicidade, ou a forma de eu aproveitar, mais e melhor, os meus momentos felizes, é um problema meu e devo buscar a minha Felicidade Interna Única, e não comprar qualquer outra;
  5. Do mesmo modo que a morte é destino e morrer é processo, a felicidade seria o final da jornada, construída e curtida passo a passo, em cada momento feliz vivido.

Nesse ponto vou propor uma reflexão, a partir da consideração de que o homem é um ser gregário, portanto é necessário pensar ser feliz em grupo e não sozinho.

Vou partir dos quatros relacionamentos básicos do ser humano e analisar, resumidamente, o esforço que cada um exige de nós para construir a felicidade que satisfaça ao conjunto e a cada um. São eles: Relacionamento Pessoal, Relacionamento Familiar, Relacionamento Profissional e Relacionamento Social.

Mesmo sendo o primeiro da lista, vou tratar do Relacionamento Pessoal por último, por que ele é o mais exigido. Vamos lá então.

Relacionamento Familiar –  Aqui temos que ter um olhar global para o conceito de família, mesmo que tenhamos de dividí-la nos departamentos do cônjuge, dos filhos e dos parentes.

Por princípio todos os componentes de cada departamento merecem ser tratados com amor, amizade, carinho e respeito. Mas nos departamentos do cônjuge e dos filhos é mandatório acrescentar parceria, presença e apoio. No departamento dos filhos, existem ainda duas necessidades fundamentais para prepará-los para a vida: a orientação e a formação, ou seja, a educação integral. Para o departamento dos parentes, temos que atentar para as famílias laterais e ascendentes dos cônjuges. O que exigirá de todos do núcleo central olhares diferentes, dentro do mesmo espírito carinhoso, amoroso, respeitoso e de amizade. Mesmo quando exista “aqueles” cunhados ou tios e primos de difícil trato.

Relacionamento Profissional – Também nesse caso temos, pelo menos, três departamentos: do empregador, dos sindicatos e das associações profissionais.

Para o empregador é necessária a presença e a subordinação, além dos compromissos de entregar qualidade e produtividade nos nossos produtos ou serviços, e manter a fidelidade e confidencialidade dos processos da organização. Importante salientar a necessidade de se ter um bom relacionamento com os colegas de trabalho, especialmente aqueles que, junto com você, formam equipes permanentes ou transitórias. Para os sindicatos bastam a obediência, contribuição pecuniária e, às vezes, a presença nas assembleias. Quanto às associações profissionais – mais “democráticas” – o que mais importa é a contribuição pecuniária, o voluntariado e, claro, a subordinação às regras de convívio profissional e social.

Relacionamento Social –  Este é o relacionamento que primeiro nos coloca em contato com o mundo além da casa dos pais. Quase sempre ele começa na religião, quando somos apresentado a uma igreja. Em seguida iremos à escola e mais tarde frequentaremos algum clube. Temos, então, outros três departamentos: o departamento da igreja, ou religião, o departamento da escola e o departamento do clube.

A igreja, certamente, vai cobrar a submissão aos seus preceitos religiosos, a frequência aos rituais, a contribuição pecuniária e o voluntariado para a prática da filantropia. A escola vai exigir, de início, – pelo menos se espera – a presença e a dedicação aos estudos, a participação assídua nas outras atividades escolares e, principalmente, a submissão a todas as regras: disciplina, assiduidade, pontualidade e urbanidade. Já o clube, pelo seu caráter de lazer e entretenimento, vai querer que sejam pagas em dia a contribuição social, bem como a submissão às regras dos estatutos e do regimento interno, presença física nas suas instalações e participação em trabalhos voluntários e filantrópicos.

Relacionamento Pessoal – Do ponto de vista “burocrático”, é o relacionamento mais simples, ele tem apenas um departamento: você. O que não impede dele ter diferentes níveis de complexidade, dependendo do ponto onde você esteja na sua linha da existência: casado, trabalhando, participando de alguma instituição na área social, estudando, etc.

Quando disse que o deixaria por último por ele ser o mais exigido, aí estão algumas evidências que comprovam a minha afirmação.

Nesse relacionamento, além daquelas necessidades básicas de amor, amizade, carinho e respeito, você vai precisar de fortalecer os relacionamentos existentes, além de criar novos; vai necessitar de mais e melhores formas de lazer e descanso; terá de buscar permanentemente a reciclagem e aquisição de conhecimentos.

Em resumo, fica claro que você é o elemento chave na gestão de todos os relacionamentos, especialmente este com você mesmo. Você não pode escapar desta responsabilidade. É você com você mesmo e, a partir daí, com os outros. Nada diferente do que tem sido evidenciado na Filosofia: você é o senhor da sua vida, ninguém pode vivê-la por você.

Repassando o texto, quero lembrá-lo do que disse logo no início: não existe receita para a felicidade. O máximo que podemos receber ou oferecer são sugestões de comportamentos que possam levar até ela.

Portanto, sem medo de errar, vou sugerir que você pratique sempre, no seu cotidiano, os quatro pilares para se viver bem, na minha opinião, os mesmos para ser e fazer feliz.

1º - Aceitação: significa dizer a si mesmo e assumir o compromisso de aceitar pessoas, situações, circunstâncias e fatos como eles se apresentarem, não como você gostaria que fossem.

2º - Responsabilidade: é a capacidade de responder com habilidade, tendo bem claro que assumir a responsabilidade não é culpar alguém, ou alguma coisa, pela situação, muito menos a si mesmo.

3º - Não ser dono da verdade: é desistir da necessidade de defender os seus pontos de vista e de convencer e persuadir os outros a aceitá-los.

4º - Gratidão: é a resposta completa e total do coração a tudo no universo. Ser grato nos ajuda afastar a ideia de que não temos ou teremos o suficiente, e que, nós mesmos, não somos suficientes.

E aí que tal, para seguir com o hábito, refletir na companhia de grandes pensadores.

Charlie Chaplin: Não preciso me drogar para ser um gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano; Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.”

Clarice Lispector:  “Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito.”

Cora Coralina:  Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”

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